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O que você precisa saber sobre a lógica do Cisne Negro

Em gestão, é todo acontecimento improvável e transformador que, após a sua ocorrência, leva todo mundo a crer que ele era claramente previsível
O que você precisa saber sobre a lógica do Cisne Negro
Nossos olhos estão preparados para enxergar apenas o que já vimos antes, isto é, somente cisnes brancos.

Até os ingleses descobrirem a Austrália em 1770, o mundo europeu jamais havia visto um cisne negro. Aliás, todos os cisnes conhecidos eram brancos, a ponto de ninguém mencionar a cor da ave ao descrevê-la, temendo ser pego numa clara redundância.

Essa mesma história é contada no livro “A Lógica do Cisne Negro”, de Nassim Taleb (Ed. Best Seller), que serve de pano de fundo para ilustrar o conceito-chave da obra. Segundo Taleb, acreditamos demasiadamente na sabedoria convencional obtida com as experiências e observações do mundo que conhecemos. E só descobrimos que estávamos equivocados quando um mero pássaro negro invalida aquilo que milhões de cisnes brancos pareciam nos ensinar.

Explicando o Cisne Negro

Em gestão, Cisne Negro é todo acontecimento improvável e transformador que, após a sua ocorrência, leva todo mundo a crer que ele era claramente previsível. Ou seja, tem três características: 1) o fato é raro, sem que nada no passado apontasse a sua real probabilidade; 2) provoca um grande impacto; e 3) oferece uma explicação plausível após a sua ocorrência, já que as pessoas logo ligam os pontos.

O ataque terrorista ao World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001 é um exemplo clássico. Até então os EUA não tinham passado por algo parecido em seu território. As consequências do episódio foram sentidas no mundo todo e nas mais diferentes esferas. E várias notícias que começaram a ser veiculadas nos dias seguintes mostraram que as autoridades poderiam ter evitado o pior, caso estivessem atentas aos sinais evidentes.

O problema é que nossos olhos estão preparados para enxergar apenas o que já vimos antes. Isto é, somente cisnes brancos.

Podemos prever ou evitar?

Focalizando o mundo dos negócios, uma série de empresas que também podemos chamar de Cisnes Negros têm abalado as estruturas de diferentes mercados. O Airbnb, por exemplo, não foi percebido pelas grandes redes hoteleiras até que ele já estivesse grande o suficiente para se tornar a maior empresa mundial do setor. Com o Uber e os taxistas aconteceu a mesma coisa.

O WhatsApp, assim que ganhou a atenção dos brasileiros, parecia ser um aplicativo de mensagens melhorado – e só. No entanto, hoje sabemos que matou boa parte do negócio das telefônicas sem que nenhuma delas conseguisse saber direito o que as atingiu. O algoz, sem cara de empresa telefônica, não foi mapeado a tempo por nenhuma delas.

As grandes inovações do mercado sempre revelam Cisnes Negros, lembra Taleb: “Quanto mais inesperado é o sucesso de um empreendimento, menor o número de concorrentes e mais bem-sucedido é o empresário que implementa a ideia”. Em outro trecho ele afirma: “A recompensa de um empreendimento é, em geral, inversamente proporcional ao que se espera que ele seja”.

Isso ajuda a explicar porque tantas barbearias masculinas, franquias de iogurte frozen, lojas de paletas mexicanas e hamburguerias artesanais fecharam recentemente, após o boom em cada esquina da cidade. O fato é que quem chegou primeiro bebeu água limpíssima e os que vieram depois – como resultado do efeito-manada –, em boa parte das vezes, tiveram de se contentar com o lamaçal ou morrer de sede.

Mas não pense que os primeiros empreendedores desses tipos de negócios tinham um planejamento estruturado para serem bem-sucedidos. Eles simplesmente reconheceram as oportunidades e procuraram colocar as ideias em prática antes de todo mundo. Usaram a lógica do Cisne Negro a seu favor.

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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