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A armadilha dos cursos rápidos: até onde eles te levam?

Uma carreira sólida exige bem mais do que formações de curta duração

Se você precisa aprender algo novo, um curso de dois ou três dias pode parecer a solução perfeita. Afinal, ele entrega conhecimento prático, aplicável de imediato e ainda responde à urgência do mercado. Mas será que esse tipo de estratégia é suficiente para construir uma carreira sólida?

Cada vez mais pessoas estão deixando de lado a busca por uma formação tradicional – graduação ou pós-graduação –, para apostar em imersões de fim de semana e o raciocínio parece lógico: “Por que investir anos em uma faculdade se posso aprender a mesma habilidade técnica em dezesseis horas?” Uma lógica que parece coerente agora, mas que daqui a algum tempo pode se revelar um tiro no pé.

Cursos rápidos são excelentes para ensinar boas práticas e ferramentas aplicáveis no curto prazo. Em poucos dias, você realmente pode aprender a gerenciar campanhas de marketing digital, operar um novo software ou aprimorar técnicas de venda. Mas será que esse conhecimento pontual é suficiente para enfrentar desafios complexos ou tomar decisões estratégicas?

Uma carreira de sucesso exige mais do que a simples execução de tarefas. Empresas buscam profissionais capazes de enxergar o todo, entender os impactos de suas decisões e propor soluções inovadoras. Algo que requer pensamento estruturado, o tipo de competência que não se aprende em cursos rápidos.

Além disso, quem foca apenas em instruir-se para resolver problemas imediatos corre o risco de acumular um conhecimento fragmentado que o torna incapaz de “ligar os pontos” entre diferentes áreas do conhecimento. E a consequência é que, em pouco tempo, o profissional pode se ver estagnado, dependendo de mais e mais cursos para se manter relevante.

Mesmo com as transformações no ensino e no mundo do trabalho, uma base acadêmica forte continua sendo crucial. Graduações e pós-graduações não são apenas um diploma pendurado na parede. Elas representam anos de estudo aprofundado, construção de pensamento crítico e exposição a desafios intelectuais que desenvolvem habilidades-chave para qualquer tipo de trabalho empresarial.

Isso não significa que um diploma seja garantia de sucesso, mas ele ainda pesa no momento da contratação e, principalmente, quando a sua companhia pensa em promovê-lo. Por quê? Repito: profissionais acima da média sabem pensar – e isso se aprende na faculdade e não em uma imersão de fim de semana.

“Conhecimento superficial é pior do que ignorância.” Alexander Pope

Nada do que eu argumentei significa que cursos rápidos são inúteis – muito pelo contrário. Eles são essenciais para nos mantermos atualizados. Mas o segredo está em equilibrar uma base acadêmica sólida com formações de curto prazo. Combinar profundidade com agilidade.

Não por acaso, no século XVIII, o poeta e ensaísta inglês Alexander Pope alertava: “Conhecimento superficial é pior do que ignorância.” Sim, há 300 anos, as pessoas já caíam na armadilha de confiar em atalhos e na ilusão de que saber um pouco era o mesmo que saber o suficiente.

Pense nisso!

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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