Em muitas empresas, presença virou sinônimo de disponibilidade. O líder está nas reuniões, responde rápido às mensagens no Whats e mantém a agenda cheia de compromissos. Ainda assim, seus liderados reclamam da mesma coisa: falta de clareza e dificuldade de conversar sobre o que realmente importa.
Disponibilidade é quantidade de interação, presença é qualidade de atenção. E quanto mais o líder se mede pela rapidez com que responde, menos tempo ele tem para sustentar diálogos que exigem reflexão, escuta e maturidade.
Herbert Simon, prêmio Nobel de Economia, já alertava há algum tempo que “uma abundância de informação cria escassez de atenção”. No ambiente corporativo atual, essa escassez se manifesta de forma clara: líderes acessíveis, porém dispersos. Entram em reuniões respondendo e-mails, participam das conversas sem estar mentalmente ali e, ao final, saem sem nenhuma decisão tomada.
Os dados ajudam a entender o impacto disso. Uma pesquisa publicada pela Harvard Business Review revelou que gestores são interrompidos, em média, a cada 3 minutos e que levam cerca de 20 minutos para recuperar o nível de foco anterior. O resultado não é apenas perda de produtividade, mas o empobrecimento das interações que ocorrem ao longo do dia entre líderes e liderados.
Na prática, a diferença entre disponibilidade e presença aparece no comportamento. O líder disponível centraliza decisões, resolve rápido e vira ponto de apoio para tudo. Já o líder presente não agiliza respostas e sim melhora a qualidade das perguntas. Em vez de absorver o problema, ajuda o outro a estruturar o raciocínio. Em vez de dar a solução, devolve responsabilidade. Um gera alívio imediato; o outro constrói autonomia.
Amy Edmondson, professora de Harvard e referência mundial em segurança psicológica, mostra em seus estudos que equipes de alta performance não são aquelas com menos erros, mas as que têm mais abertura para dialogar sobre eles. Essa abertura nasce de líderes que sabem estar por inteiro nos momentos certos, criando espaço para conversas sem filtros.
Há também um componente emocional pouco discutido. Estar disponível o tempo todo é cansativo, porém confortável. Em contrapartida, estar presente dá trabalho. Exige lidarmos com silêncio, tensão, frustração e ambiguidade, por exemplo. E é justamente por isso que muitos líderes se escondem atrás da hiperatividade. Agenda cheia virou mecanismo de fuga.
Em vez de medir a sua liderança pelo número de interações/dia, avalie o impacto delas. Quando você entra em uma reunião, amplia a consciência das pessoas ou apenas resolve mais um item da lista de coisas a fazer? Essa resposta costuma separar líderes ocupados de líderes relevantes.






