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Como um líder morre dentro da própria empresa

Conheça os sinais que antecipam a queda de um líder e o que fazer se o seu prazo de validade também parece estar chegando ao fim

a morte de um líderA “morte” de um líder dentro da própria empresa não acontece de um dia para o outro. É um processo silencioso, quase invisível e que pode levar anos até se concretizar. Mas os sinais, quase sempre, têm a ver com perda de relevância, impacto e/ou credibilidade.

O mais curioso é que a ficha só cai quando ele é chamado para uma conversa “inesperada” com a diretoria. Daí, ao ouvir que sua jornada na empresa chegou ao fim, tenta argumentar, procura justificativas, mas no fundo, a pergunta que martela sua mente é: ‘Como isso aconteceu? O que eu fiz de errado?’”

Como já atendi vários executivos que passaram por esse tipo de situação, preciso dizer que, normalmente, dois sintomas precedem a morte de um líder: as pessoas já não o respeitam e ele é incapaz de se reinventar.

Em um exercício de autoconsciência, pense em sua carreira por um momento. Há perda de respeito quando, por exemplo:

  • Seus projetos não avançam – Você propõe iniciativas, mas dificilmente as ideias saem do papel. A influência que exerce é tão baixa que não consegue mobilizar nem a própria equipe.
  • Ninguém pede sua opinião espontaneamente – As pessoas evitam consultá-lo antes de tomar decisões que as afetam, pois já não consideram aquilo que você tem a dizer.
  • Conversas importantes acontecem sem a sua presença – Há mais movimentação nos bastidores do que em reuniões formais porque as pessoas entendem que você, apesar do cargo, não tem legitimidade.

A incapacidade de se reinventar, por sua vez, fica clara quando:

  • Você se tornou refém do passado – Suas melhores histórias são sobre “como fazíamos antigamente” e, por isso mesmo, resiste a novas metodologias, tecnologias e práticas de gestão.
  • Seu time cresceu e você ficou para trás – Já se tornou um obstáculo para o futuro do negócio em vez de atuar como um agente de transformação. E, consequentemente, é visto como um estorvo (com o perdão da palavra), apesar de não saber disso.
  • Insiste em decisões equivocadas – Fazer escolhas erradas é parte do jogo, mas dobrar a aposta em estratégias ruins cria o consenso de que você precisa ser afastado antes que o barco afunde com todo mundo dentro.

A boa notícia é que a morte não é súbita, mas a ressurreição pode ser. Caso você esteja enxergando que alguns desses sinais de decadência também estão presentes em seu dia a dia, o remédio passa por: reconquistar a confiança das pessoas e dar um jeito de continuar evoluindo.

Na prática, significa abrir espaço para opiniões divergentes, entender que a equipe tem ideias melhores do que você em muitas áreas e reconhecer que liderar não é sobre ter todas as respostas, mas saber fazer as perguntas certas. E, ao mesmo tempo, estar aberto para aprender algo novo todos os dias, ter a coragem de abandonar aquilo que já não funciona mais e adaptar-se sem perder a sua essência.

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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