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Liderança peripatética: a arte de liderar em movimento

Entre corredores e conversas é que nasce a influência mais autêntica.

Existe uma imagem clássica de liderança que ainda domina o imaginário corporativo: o líder sentado atrás de uma mesa, cercado de relatórios e tomando decisões à distância. O problema é que, ao agirmos assim, qualquer um de nós corre o risco de se encastelar e, aos poucos, perder o contato com a realidade.

É nesse cenário que a liderança peripatética, ou a arte de liderar em movimento, ganha relevância. O termo remete à escola filosófica associada a Aristóteles, que ensinava caminhando com seus discípulos, tendo o próprio percurso como espaço de diálogo, reflexão e aprendizado.

Tomemos também o exemplo de Jesus Cristo. Grande parte da sua liderança era exercida enquanto peregrinava com seus seguidores, atravessando cidades, campos e estradas. E esse deslocamento constante do Mestre não era só logístico: foi uma forma intencional de fortalecer o vínculo com os liderados, observar a realidade de perto e educá-los a partir das situações concretas da jornada.

Portanto, a liderança peripatética parte de um princípio simples: o líder que circula compreende melhor o sistema que busca influenciar. Em vez de se limitar ao gabinete, ele adota a postura de um “ser andante”.

Isso significa reservar momentos da semana para percorrer os corredores da empresa sem uma agenda prévia a fim de que conversas espontâneas aconteçam. E, nesses encontros informais, identificar mais facilmente os sinais precoces de problemas e oportunidades.

A liderança peripatética também está presente quando o líder convida seu colaborador para viajar junto — seja para visitar um cliente, ir à matriz ou participar de um congresso — com a intenção deliberada de criar um espaço de convivência e diálogo que dificilmente cabe na agenda fragmentada do dia a dia.

Outra aplicação poderosa é o chamado “feedback de caminhada”, que é a prática de conversar sobre temas delicados enquanto se anda junto com o outro. Comigo mesmo já aconteceu de, nessas horas, transformar conflitos espinhosos em trocas produtivas simplesmente porque o movimento conjunto reduz a sensação de confronto e ainda transmite a mensagem simbólica do “tamo junto”.

Os benefícios não param por aí. Quando o líder circula pela organização, demonstra interesse genuíno tanto pelo trabalho quanto pelas pessoas que o realizam, expondo uma mensagem clara e poderosa: “O que vocês fazem importa”.

Além disso, caminhar pela empresa diminui a dependência de percepções filtradas por relatórios e reuniões formais. A observação direta permite captar nuances do ambiente, entender melhor os desafios da operação e formar julgamentos mais aderentes à realidade, sem intermediários.

Em tempos de excesso de telas e agendas esfareladas, liderar andando por aí expressa uma escolha de proximidade. O compromisso de trocar o encastelamento pela realidade, as suposições pela observação e a distância pela convivência.

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Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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