Vivemos em uma era na qual a palavra “influência” se tornou quase mágica. Profissionais de todas as áreas querem ser mais influentes, seja para persuadir clientes, engajar equipes, defender suas ideias nas empresas ou então alcançar relevância no mundo digital.
A busca em si é legítima e até saudável. O problema é que muitos estão confundindo influência com manipulação. Basta uma rápida visita a uma livraria ou uma pesquisa on-line para perceber que boa parte dos títulos mais vendidos ensina técnicas de manipulação que assustariam até mesmo Maquiavel.
São métodos que prometem controlar o pensamento alheio, induzir decisões sem que a outra parte perceba ou “dobrar” qualquer pessoa a fazer o que você deseja – e tudo isso em até 90 segundos. E não são poucos os profissionais que, seduzidos pela promessa de resultados imediatos, mergulham nesse mundo de fórmulas mágicas e gatilhos mentais sem perceber que, no longo prazo, estão comprometendo justamente o que torna alguém influente: a confiança.
Imagine um vendedor que manipula o cliente para fechar uma compra que não atende às suas necessidades. Pode até funcionar da primeira vez, mas dificilmente haverá uma segunda. Ou pense em um líder que usa artifícios de engano para obter adesão da equipe em um projeto, como fazer promessas vazias. A curto prazo, pode até arrancar aplausos; porém, quando as pessoas descobrem que foram levadas por discursos mentirosos, a credibilidade desaparece.
Por isso, é sempre bom lembrar o ensinamento de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo, ou a alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos por todo o tempo”. Cedo ou tarde, a manipulação é descoberta, e o prejuízo costuma ser muito maior do que o ganho momentâneo.
A influência autêntica, por outro lado, é trabalhosa. Ela exige consistência, clareza de intenções e, acima de tudo, respeito genuíno pelo outro. Trata-se de buscar sempre acordos ganha-ganha, em que todos se sintam valorizados e reconhecidos. Não é sobre vencer uma negociação ou ter a razão e sim sobre construir relacionamentos sólidos.
O grande erro de algumas pessoas é acreditar que influência é sinônimo de esperteza, buscando o caminho fácil da manipulação. Influenciar, de verdade, é uma construção lenta e duradoura, quase artesanal. Demanda paciência, integridade e a disposição de enxergar o outro como parceiro e não como alvo.
No fim das contas, a pergunta que todo profissional precisa responder é simples: você quer ser lembrado como alguém que usou artimanhas para vencer, ou como alguém que construiu confiança para ganhar junto? Donald Trump preferiu a primeira opção.