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Por que tanta gente resiste a preparar seu sucessor?

Alguns profissionais seniores resistem a processos de sucessão por entenderem a aposentadoria como sinal de finitude da vida.

Capacitar sucessores continua a ser um tabu na maior parte das organizações e não é para menos. No mundo da gestão, as angústias dos sucedidos costumam ser tratadas como simples mimimi. O que nem sempre é verdade.

Alguns profissionais seniores, por exemplo, resistem a processos de sucessão por entenderem a aposentadoria como sinal de finitude da vida. Uma “saída forçada da sociedade”, já que não enxergam o que fazer de interessante em uma vida sem trabalho.

Aliás, diante de alguém cuja identidade está muito atrelada ao trabalho, lembre-se que a pergunta incômoda que surge na cabeça dele(a) quando lhe pedimos a passagem de bastão é: “Tá, e o que eu farei depois que estiver aposentado?”

Ainda mais quando a pessoa já sabe de antemão que, apesar da idade avançada, não conseguirá manter seu padrão de consumo contando apenas com a pensão do governo e uma previdência complementar. A verdade é que ela resiste à sucessão porque o seu estilo de vida está em jogo.

Já profissionais de meia-idade (45 a 59 anos) costumam ser movidos pelo próprio senso de autopreservação quando ignoram possíveis sucessores: eles simplesmente temem perder o emprego para essas pessoas. Daí quem é visto com potencial para substituí-los logo vira um adversário.


Outra questão que não pode ser ignorada é que alguns profissionais têm uma natureza individualista. Eles detestam compartilhar o seu conhecimento técnico com terceiros. Como me disse uma pessoa anos atrás: “Se ele quiser aprender, vai ter de passar pelo que eu passei. Não vou dar tudo de graça de jeito nenhum”.

Às vezes, o próprio sucessor não ajuda muito. A pessoa é imediatista demais, achando que logo vai dominar o novo trabalho e, assim que surgem os primeiros obstáculos e exigências, acaba desistindo da transição. Nessas horas, é comum o sucedido sentir que está perdendo o seu tempo na formação de gente que não quer nada com nada.

O medo de errar na escolha do sucessor é mais um problema corriqueiro. A gente vê isso na prática quando os candidatos jamais parecem à altura da posição, sendo descartados um a um com a famosa desculpa: “Ainda não encontrei ninguém bom o bastante”.

Quando estiver diante de uma pessoa que resiste passar o bastão para outra, lembre-se que, para ajudá-la, você precisa enxergar a situação com os olhos dela. Aliás, é bem provável que mais adiante, quando chegar a sua vez, também venha a sofrer algumas das angústias que relatei logo acima.

Nas empresas, falamos há anos sobre o que o sucessor precisa para dar certo na nova posição. Já está mais do que na hora de darmos mais atenção às necessidades emocionais e expectativas que movem aquele que será sucedido.

Pense nisso!

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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