Embora o pensamento estratégico seja uma competência crítica, ele segue raro entre líderes. Especialmente em organizações onde as urgências do dia a dia empurram profissionais do médio e alto escalão para o papel de grandes executores em vez de grandes executivos.
A boa notícia é que ninguém nasce estrategista. Esse tipo de raciocínio é fruto de bastante treino, curiosidade e disciplina intelectual. Como ensina Peter Senge: “Pensar estrategicamente é ver interrelações, não eventos isolados”.
Mas, como desenvolver tal competência?
Primeiramente, conheça o seu negócio em profundidade. Saber como a empresa ganha dinheiro, seus pontos fortes e fracos, e o que realmente gera valor para o cliente. Tudo isso é ponto de partida para quem não se contenta em apenas dar alguns “pitacos sem pé nem cabeça”.
Também procure desenvolver inteligência de contexto. A sensibilidade de ler as sutilezas do ambiente, conectando dados de mercado, movimentos da concorrência e mudanças tecnológicas e sociais a padrões e sinais ainda invisíveis para a maioria. Ou seja, além de saber o quê fazer, entender quando, como, com quem e em que condições fazer.
Já para sustentar essa leitura de contexto, amplie suas fontes de informação. A estratégia empobrece quando o repertório é restrito. Por isso, converse com pessoas fora da sua bolha, leia sobre temas que não domina e observe setores do mercado que são próximos ao seu. Você só conecta coisas quando coleciona referências diversas.
Outra coisa importante e subestimada: seja imaginativo. Fantasiar cenários possíveis, testar hipóteses e projetar futuros alternativos é algo que ajuda muito. O líder estratégico não tenta prever o futuro com precisão e sim ampliar o campo do razoável. Ele se permite perguntar “e se?”, mesmo quando o caminho ainda não está claro.
A visão construída, no entanto, só ganha força quando você é capaz de transformá-la em uma narrativa real e envolvente. Ideias não engajam pessoas — histórias sim, pois são elas que geram envolvimento emocional. A estratégia que não é contada vira abstração.
Por fim, você precisa pensar no longo prazo, mas atuar hoje. Um bom líder faz perguntas como: “onde queremos estar em três anos?” e “o que precisamos começar agora para chegar lá?”. O pensamento estratégico se revela nas decisões cotidianas que fazem o ponteiro girar.
Como já deve ter dado para entender, neste mundo barulhento e acelerado, pensar estrategicamente é mais do que fazer planos. É um ato de lucidez e coragem de quem entende que o futuro não nasce do excesso de movimento e sim do exercício de colocar energia no que realmente merece atenção.