Grande parte das decisões que realmente definem o rumo de uma empresa não envolve optar entre o certo e o errado, mas entre perdas inevitáveis. Esse é o território dos trade-offs: escolhas em que ganhar algo significa, necessariamente, abrir mão de outra coisa. A encruzilhada sem solução completa, apenas paradoxos a sustentar.
Os trade-offs aparecem o tempo todo, mesmo quando não são nomeados. Estão no gestor que precisa decidir entre manter um profissional querido, porém improdutivo, ou proteger o desempenho do time. No executivo que sabe que investir em inovação agora comprometerá o resultado do trimestre. No líder que precisa escolher entre continuar a atender um cliente relevante ou sustentar a nova estratégia comercial que exige mudanças. Em nenhum desses casos há uma resposta certa de antemão, apenas perdas diferentes.
O filósofo britânico Isaiah Berlin lembra que “a vida humana é marcada pela impossibilidade de realizar todos os valores ao mesmo tempo”. A liderança começa quando reconhecemos essa lógica: não existe decisão estratégica sem renúncia.
Porém, é tentador nos escondermos atrás da paralisia ou da esperança de que o tempo resolva aquilo que não queremos decidir. O problema é que adiar escolhas não elimina o custo – apenas o empurra para frente.
Muitas organizações treinam líderes para buscar harmonia, quando deveriam prepará-los para sustentar tensões. O discurso do equilíbrio permanente forma gestores que evitam escolhas difíceis, apostam em soluções paliativas e confundem empatia com omissão.
O professor norte-americano James March, especialista no tema, sempre pontua em suas obras que as decisões mais importantes são tomadas sob ambiguidade, não sob certeza. Por isso, é assustador quando encontramos líderes aos montes esperando garantias antes de agir, como se fosse possível eliminar o custo das escolhas.
Em resumo: sobreviver aos trade-offs exige mais do que capacidade analítica. Requer, acima de tudo, maturidade emocional para lidarmos com a frustração, conflitos e críticas sem recuar.
Eu presto consultoria em empresas há 27 anos e percebo que as organizações que sustentam sucesso ao longo do tempo não são aquelas que acertam sempre e sim as que escolhem com clareza quais perdas estão dispostas a assumir. Ou, em outras palavras, a diferença está entre quem decide pagar agora e quem prefere pagar depois — com juros.
Existe uma frase antológica de Peter Drucker que ensina: “Sempre que vemos uma empresa de sucesso, alguém tomou uma decisão corajosa.” Desejo que você seja essa pessoa na companhia onde trabalha.






