Você já viu isso acontecer ou talvez já tenha vivido. A pessoa entrega resultados, supera metas, domina o que faz — e então “ganha” uma posição de liderança. Parece justo, não parece? Mas, muitas vezes, essa “conquista” é uma armadilha elegante. Nem toda promoção é reconhecimento, e algumas são um convite disfarçado ao fracasso.
Ainda assim, por que esse roteiro se repete com tanta frequência nas organizações? Porque, em muitos contextos, a promoção a cargos de gestão é usada como uma forma de compensação. E, quando isso acontece, ela costuma vir embalada em três iscas clássicas: status, poder e dinheiro.
- Status. A mensagem é sedutora: liderar é “chegar lá”. O crachá muda, o cargo brilha, o ego agradece. Mas vale se perguntar: visibilidade é garantia de competência? Nada corrói mais rápido a confiança do que descobrir, na prática, que não estávamos prontos.
- Poder. Talvez você já tenha visto ou sentido isso: a ideia de que liderar é ter mais controle, mais decisão, mais voz. Só que na vida real é o contrário. Liderar é servir mais, ouvir mais, assumir responsabilidades que antes não existiam. O “poder” imaginado costuma ser bem diferente do poder que realmente importa.
- Dinheiro. E, sim, em alguns casos a motivação é financeira. É compreensível e, ainda assim, arriscado. Quando alguém troca aquilo que faz excepcionalmente bem por algo que paga melhor, pode descobrir tarde demais que perdeu justamente o que o fazia único. E acaba se tornando mediano no novo papel.
Quando a promoção de um líder se ancora em status, poder ou dinheiro, todos perdem, pois o resultado são gestores que não cumprem sua missão, equipes desorientadas e organizações que pagam o preço da mediocridade.
Como explica Gianpiero Petriglieri, promoções malconduzidas viram “armadilhas identitárias” ao corroerem as forças que antes os impulsionavam. E é exatamente isso que acontece quando tratamos liderança como recompensa, não como ofício.
Uma promoção faz sentido quando acontece como consequência natural de entregas que, de forma consistente, superam os limites do cargo atual. Quando fica claro que aquela cadeira já não desafia mais, que o repertório cresceu e pede um nível maior de complexidade. Não é prêmio, é leitura de potencial de desempenho.
Uma promoção faz sentido quando acontece como consequência natural de entregas que, de forma consistente, superam os limites do cargo atual. Quando fica evidente que aquela cadeira já não desafia mais, que o repertório cresceu e pede um nível maior de complexidade. Não é prêmio, é leitura de potencial de desempenho.
É a decisão consciente de confiar a alguém desafios maiores — porque já ficou claro que ele tem condições reais de sustentar esse novo patamar.






