Janeiro costuma ser tratado como largada para a maior parte das empresas. Na prática, porém, deveria ser um tempo de faxina.
É comum entrarmos no ano novo carregando excessos. Projetos que perderam sentido, reuniões que sobrevivem graças ao apreço por tradição e até mesmo prioridades que só existem porque falta coragem de desagradar alguém importante na companhia. Ou seja, muito acúmulo desnecessário.
O problema de acelerar sem limpar é simples: corremos levando peso morto. E quanto mais o ano avança, mais caro fica sustentar o que não gera valor, mas continua consumindo tempo, energia e atenção em detrimento daquilo que realmente importa.
Limpar não é um exercício simbólico, é profundamente político. Significa cancelar iniciativas que têm patrocinadores influentes, encerrar rituais que dão sensação de controle e dizer não a demandas que sempre foram aceitas por conveniência. Por isso, quase ninguém faz.
Lembre-se: o que continua na agenda de janeiro provavelmente continuará até dezembro. O que não é interrompido agora dificilmente será depois porque o custo emocional e político da mudança será maior ainda.
É comum ver empresas tentando resolver desempenho com mais metas, mais indicadores, mais reuniões. No entanto, raramente o problema é falta, quase sempre é excesso. Excesso de ruído, de prioridade e de urgência fabricada.
Não subestime o poder de uma agenda limpa. Uma organização com menos frentes abertas decide melhor, executa com mais clareza e reduz conflitos. Em resumo: o que parece perda de ritmo num primeiro momento, na verdade, é ganho de tração.
O primeiro trimestre é o único momento do ano em que a limpeza é possível sem grandes explicações. Ainda existe margem para rever acordos, redesenhar papéis e encerrar projetos sem parecer fracasso. Depois disso, tudo vira justificativa, defesa de território e medo de errar.
O problema é que limpar exige maturidade. Você precisa aceitar que algumas decisões não deram certo e enfrentar o desconforto temporário de desapontar pessoas. Mas o custo de não limpar é maior: um ano inteiro tentando compensar desorganização com esforço.
Empresas que entram em janeiro limpando não fazem isso porque são cautelosas. Elas simplesmente seguem à risca o ensinamento de Peter Drucker: “Nada é tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito”.
O primeiro trimestre não deveria ser lembrado como o momento em que a sua empresa correu mais rápido e sim como o momento em que decidiu parar de desperdiçar energia.
Por isso, antes de acelerar, você deve fazer uma pergunta simples e brutal a si mesmo: o que não deveria atravessar fevereiro? Responder a isso muda o ano inteiro.