Artigos

Quando dialogar e quando discutir?

Equipes de alta performance aprendem a separar os momentos de construir entendimento dos momentos de tomar decisões.

Quando dialogar e quando discutir?Uma confusão bastante comum nas empresas é considerar diálogo e discussão como se fossem a mesma coisa. Embora ambos sejam formas de comunicação em grupo e desempenhem papéis complementares, possuem objetivos bem diferentes.

O diálogo tem como propósito ampliar a compreensão coletiva. Trata-se de um espaço em que as pessoas procuram ouvir genuinamente umas às outras, suspendem julgamentos precipitados e exploram diferentes perspectivas. O intuito não é convencer nem vencer, mas aprender. Em um diálogo verdadeiro, o grupo constrói significado em conjunto.

Já a discussão possui outra finalidade. Nela, os participantes confrontam ideias, analisam alternativas e chegam a uma conclusão. Portanto, enquanto o diálogo convida ao aprendizado e à exploração de possibilidades, a discussão é orientada para a tomada de decisão.

O problema é que, em muitas organizações, existe o hábito cultural de praticar apenas uma dessas habilidades, quando o ideal seria dialogar primeiro e discutir depois.

Imagine, por exemplo, uma reunião para definir uma mudança estratégica importante em sua empresa. Se cada participante chega preocupado apenas em defender as próprias opiniões, sem procurar compreender os pontos de vista dos demais, o encontro rapidamente se transforma em uma disputa de opiniões e egos. E é claro, a tendência é que prevaleça a opinião da pessoa com maior autoridade ou maior habilidade de persuasão, mas não necessariamente a melhor solução.

Há também o extremo oposto. Algumas equipes desenvolvem uma enorme capacidade de conversar, refletir e levantar alternativas, só que conservam o péssimo hábito de não tomar qualquer tipo de decisão. As reuniões são agradáveis, as pessoas se sentem ouvidas, porém os assuntos se arrastam indefinidamente e nada sai do papel. Nesse caso, o excesso de diálogo acaba comprometendo a ação.

Na prática, diálogo e discussão funcionam como duas etapas complementares. O diálogo amplia a visão. A discussão converte entendimento em decisão. O diálogo busca significado enquanto a discussão convida à conclusão. O diálogo promove aprendizado e a discussão produz mão na massa.

Por isso mesmo, uma das habilidades mais importantes para líderes de equipe é justamente perceber em que momento o seu time precisa de cada uma dessas abordagens. Há reuniões em que o mais importante é ouvir, compreender e construir entendimento. Em outras, é preciso encerrar as análises e escolher logo um caminho de ação.

Confundir esses momentos costuma gerar dois extremos igualmente prejudiciais: empresas que vivem em permanente debate e nunca chegam a lugar algum, ou empresas que decidem rápido demais, sem considerar diferentes perspectivas.

Lembre-se: equipes maduras não eliminam os conflitos nem evitam as divergências. Elas aprendem a transformar diferenças em aprendizado por meio do diálogo e, em seguida, em resultados por meio da discussão.

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

Veja mais conteúdos

Nossos serviços

Icone Branco Caput Consultoria

Fale com um
especialista
agora mesmo!

Pronto para impulsionar sua Liderança?