Em 1965, quando Walt Disney morreu, um jornalista comentou com um executivo da empresa que lamentava ele não ter vivido para ver a inauguração do Walt Disney World. A resposta entrou para a história: “Ele viu. Foi ele quem imaginou tudo isso.”
Sempre que relembro esse episódio, penso em uma rica lição: o impacto de um líder não pode ser medido apenas pelos resultados que alcança diante dos próprios olhos. Qualquer gestor consegue influenciar uma reunião na qual está sentado à mesa. A questão-chave é outra: o que continua acontecendo quando ele já não está por perto?
Não são poucos os líderes que dizem com orgulho e como um elogio à própria importância: “Se eu sair de férias, a empresa para”. Contudo, em administração, ser indispensável expõe uma grande fragilidade do sistema e, consequentemente, do negócio. Se tudo depende da presença física do líder, no mínimo, não estamos diante de uma equipe forte.
Então, que tal aplicar o teste da ausência para saber como as pessoas e o sistema se comportam quando você não está próximo? Existem três níveis de exame.
O primeiro é o mais simples: a ausência operacional. Quando você passa alguns dias fora, o trabalho continua acontecendo? Os processos seguem funcionando? Os problemas cotidianos encontram solução ou é preciso aguardar o seu retorno?
O que queremos saber é se a equipe mantém a operação em funcionamento sem a sua presença. Quando isso não acontece, o problema geralmente não é a falta de preparo do time. É uma cultura que condicionou as pessoas a pedir permissão antes de tomar decisões que já seriam capazes de tomar.
O segundo nível do teste é a ausência decisória. Os liderados conseguem escolher bons caminhos sem consultá-lo? A equipe é capaz de lidar com algo que não está no manual — uma situação nova, um dilema ou uma prioridade conflitante, por exemplo?
No primeiro teste, a pergunta era se a equipe consegue fazer. Agora ela é outra: a equipe consegue decidir? As pessoas sabem pensar quando o líder não está por perto para oferecer respostas? Nessas horas, elas adotam critérios consistentes para decidir ou ficam paralisadas esperando uma orientação?
Mas existe um terceiro teste, bem mais exigente. É aquele para o qual poucos líderes se preparam, embora todos, mais cedo ou mais tarde, tenham de enfrentá-lo: a ausência definitiva.
Se você deixar a organização amanhã, o que permanece? Sua saída interrompe projetos, dissolve a cultura e faz desaparecer tudo aquilo que parecia sólido? Ou sua influência continua presente porque foi incorporada às pessoas, aos processos e aos critérios que orientam qualquer tipo de escolha?
Há um velho ditado que diz: “Quando o gato sai, os ratos fazem a festa”. Ele geralmente revela mais sobre a insegurança de alguns líderes do que sobre o comportamento de suas equipes. Afinal, quando a ausência do gestor produz desordem, o problema dificilmente está apenas nos liderados.
O verdadeiro teste da ausência não é descobrir se a organização sobrevive sem você. É descobrir se ela se tornou melhor justamente por ter convivido com você.





