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Você usa IA ou a IA usa você?

Enquanto muitos temem ser substituídos pelos robôs, outros já começaram a agir como eles.

Você usa IA ou a IA usa você?

A Inteligência Artificial chegou prometendo produtividade, eficiência e velocidade. E, de fato, entrega tudo isso. O problema é que, para muita gente, ela deixou de ser uma ferramenta e passou a ocupar o lugar do cérebro.

Nunca foi tão fácil escrever um texto, resumir um livro, elaborar uma apresentação, responder a um e-mail ou criar uma estratégia. Bastam alguns comandos e em segundos, a resposta aparece pronta na tela. Ou seja, a armadilha dos novos tempos é a tentação de pararmos de raciocinar.

Há uma diferença enorme entre usar uma ferramenta de inteligência artificial como assistente e empregá-la como substituta da inteligência humana. Um arquiteto continua sendo responsável pelo projeto, ainda que utilize bons softwares. Um médico deve ser responsável pelo diagnóstico do paciente, mesmo cercado de equipamentos de última geração. Da mesma forma, qualquer um de nós precisa estimular sua imaginação, embora possamos buscar algum tipo de apoio na IA.

O fato é que quem sabe analisar produz análises melhores com IA. Quem sabe escrever escreve ainda melhor. Quem faz boas perguntas recebe respostas mais úteis. Mas quem terceiriza completamente o pensamento está deixando de exercitar a habilidade que mais determinará seu valor profissional nos próximos anos: a capacidade de pensar de forma crítica.

É curioso observar que muitas pessoas dizem ter medo de serem substituídas pela inteligência artificial, enquanto fazem exatamente o necessário para que isso aconteça. Copiam respostas sem reflexão alguma, aceitam argumentos sem verificá-los, delegam decisões que exigem julgamento humano…

Em resumo, funcionam quase como operadores de comandos. E, aos poucos, deixam de agregar aquilo que nenhuma máquina consegue reproduzir plenamente: discernimento, repertório, criatividade, contexto e senso crítico.

A história dos dois últimos séculos mostra que toda grande tecnologia eliminas tarefas, ocupações e profissões, mas também libera as pessoas para que possam se dedicar a competências exclusivamente humanas. Com a IA, não será diferente. O profissional indispensável não será aquele que souber usar um chatbot e sim aquele que souber pensar melhor do que a média usando um chatbot.

Não creio que a pergunta mais importante do nosso tempo seja se os robôs vão substituir as pessoas. A verdadeira pergunta é: por que tantas pessoas estão se transformando em robôs por escolha própria? Talvez a maior ameaça da inteligência artificial não seja a evolução das máquinas, mas a acomodação da inteligência humana.

A inteligência artificial não substituirá quem pensa. Substituirá quem desistiu de pensar.

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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