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Como líderes se autossabotam sem perceber

Conheça os 7 comportamentos sutis que, sob aparência de virtude, podem limitar a sua atuação

Quando pensamos em autossabotagem, é comum logo imaginar que o tema sempre tem a ver com comportamentos equivocados evidentes do tipo “tiro no próprio pé”. Mas, no exercício da liderança, ela costuma se apresentar de maneira muito mais sutil. E justamente por isso, acaba passando despercebida.

Uma das formas mais comuns é a necessidade de ter todas as respostas. Muitos líderes acreditam que demonstrar dúvidas é sinal de fraqueza. Com isso, evitam pedir ajuda, centralizam decisões e se privam da inteligência coletiva da equipe. O que parece cuidado, na verdade, é justamente aquilo que limita o seu aprendizado e ainda os sobrecarrega.

Outra armadilha é o perfeccionismo. Você revisa tudo, acompanha cada detalhe e reluta em delegar porque acredita que ninguém fará tão bem quanto é capaz de fazer. E, aos poucos, torna-se o principal gargalo do time.

Também existe a autossabotagem disfarçada de indisponibilidade. O líder vive ocupado, responde mensagens a qualquer hora, participa de todas as reuniões e carrega mais tarefas do que deveria. À primeira vista, parece comprometido. Porém, muitas vezes, a agenda cheia serve para evitar o trabalho mais difícil: pensar estrategicamente, desenvolver pessoas e tomar decisões que exigem coragem.

Há ainda aqueles que se sabotam por necessidade de aprovação. Evitam conversas difíceis, adiam feedbacks e preferem preservar a popularidade em vez de enfrentar os conflitos necessários. A emboscada é confundir o exercício da liderança com um concurso de simpatia.

Mais uma forma? A síndrome do herói. O líder assume responsabilidades que pertencem à equipe, resolve tudo sozinho e se orgulha de ser indispensável. No entanto, esquece que quanto mais indispensável ele se torna, mais pessoas dependentes o rodeiam.

Também temos o falso senso de urgência. Você vive em modo reativo, respondendo ao que é imediato, urgente e barulhento, enquanto o que é importante vai sendo empurrado para depois. Confunde movimento com progresso.

E, por fim, ainda há a demora na tomada de decisões que cabem somente ao líder. Sob o argumento de buscar mais informação, alinhamento ou tempo para maturar a escolha, qualquer decisão desconfortável é postergada. E, com isso, a paralisia impera até que ele esteja pronto para dar o próximo passo.

Creio que já deu para você entender. A autossabotagem raramente se apresenta como nossa inimiga, pois chega disfarçada de responsabilidade, zelo, cautela ou boa intenção. Por isso, o exercício mais importante é observar a si mesmo.

Muitos dos limites ao exercício da liderança que atribuímos às circunstâncias, às pessoas ou ao mercado têm origem em crenças e comportamentos que nós mesmos alimentamos.

Pense nisso!

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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