Toda estratégia nasce, em grande medida, da habilidade de imaginar cenários que ainda não existem e de antecipar possibilidades invisíveis no presente. E há duas ferramentas poderosas para expandir essa capacidade mental: a leitura e a escrita.
Ler não serve apenas para você adquirir informação. Ajuda a ampliar repertório, sofisticar a linguagem, aumentar conexões cognitivas e treinar a abstração. Quando uma pessoa lê com frequência, ela é constantemente obrigada a construir imagens mentais, interpretar contextos, preencher lacunas, compreender ambiguidades e acompanhar raciocínios complexos.
Tudo isso fortalece a imaginação não no sentido fantasioso da palavra, mas na capacidade de simular possibilidades. E o pensamento estratégico depende exatamente disso.
Um líder estratégico precisa conseguir olhar para uma situação presente e perguntar: “O que isso pode se tornar daqui a dois anos?”, “Que consequências invisíveis essa decisão pode gerar?”, “Que movimentos o mercado ainda não percebeu?”, “Quais cenários alternativos podem surgir?”
Sem repertório intelectual, o nosso pensamento tende a ficar excessivamente concreto, imediato e operacional. Passamos a enxergar apenas aquilo que está diante dos nossos olhos, sem saber interpretar padrões, fazer analogias, conectar áreas diferentes do conhecimento ou antecipar movimentos futuros.
A escrita também tem um papel central nesse processo. Quando um líder escreve, ele é obrigado a estruturar lógica, hierarquizar prioridades, eliminar contradições e dar clareza ao que antes estava difuso na mente. Ou seja, organiza o pensamento e produz clareza.
O historiador Yuval Noah Harari costuma dizer que seres humanos dominam o mundo porque conseguem criar narrativas coletivas. Estratégia, no fundo, também é narrativa: trata-se da competência de construir uma visão plausível de futuro e mobilizar pessoas em torno dela.
Quando estudamos a biografia de grandes líderes empresariais, políticos e militares da história vemos que a imensa maioria deles sempre foram ou são leitores e escritores obsessivos – como é o caso de Winston Churchill, Abraham Lincoln, Napoleão Bonaparte, Warren Buffett, Bill Gates e Jeff Bezos.
Infelizmente, convivemos cada vez mais com líderes que consomem apenas conteúdos rápidos, fragmentados e altamente estimulantes. E seu hábito de escrita se resume a mensagens curtas enviadas pelo smartphone ou aos prompts no ChatGPT.
O resultado é uma crescente superficialidade intelectual, justamente em um momento histórico no qual interpretar contextos complexos, filtrar informações e atribuir sentido à realidade se tornou uma das competências mais valiosas da liderança.
Enfim, leitura e escrita não são apenas habilidades acadêmicas. São ferramentas de expansão mental para que você não se torne prisioneiro do presente.





