“Tudo o que você está falando é muito bonito, mas, na prática, a teoria é outra.” Já ouvi essa frase inúmeras vezes ao treinar líderes. E, embora às vezes ela pareça ser legítima, quase sempre traduz algo preocupante: a pessoa está ciente de que existe um problema em sua empresa, porém não acredita que tenha qualquer responsabilidade sobre a solução.
Alguns meses atrás, um gerente tentou tumultuar uma conversa produtiva com os colegas porque, segundo ele, “quem deveria estar na sala não está”. Referia-se ao diretor-presidente, que, em sua avaliação, impedia as mudanças necessárias na companhia.
O curioso é que, neste caso, a realidade era outra. O diretor-presidente não estava impedindo mudança alguma – inclusive, ele atuava como o principal patrocinador do projeto. Quem resistia era justamente aquele gerente.
Esse comportamento é mais comum do que parece. Vem do líder que reclama que sua equipe não tem autonomia, mas centraliza todas as decisões. Do gestor que critica a falta de comunicação, esquecendo que costuma não conversar com o time. E do diretor que se queixa de que ninguém toma iniciativa, porém há anos rejeita qualquer ideia que não venha dele.
Em todos esses casos, existe uma parcela de responsabilidade que precisa ser reconhecida pela liderança. E o primeiro passo é justamente abandonar a pergunta “quem é o culpado?” e começar a perguntar “o que eu posso fazer a respeito?”
Isso não significa assumir responsabilidades que não são suas, nem acreditar que tudo depende de você. Significa sim reconhecer a sua parte no problema e, principalmente, na construção da solução. Há uma diferença enorme entre dizer “a empresa não muda” e perguntar “o que eu tenho feito para influenciar essa mudança?”
Em algumas situações, a resposta realmente estará fora do nosso alcance. Há decisões que dependem da diretoria, do mercado ou de circunstâncias que não controlamos. Mas transformar isso em uma justificativa permanente é outra história.
Já encontrei profissionais tão tomados pelo pessimismo que perderam completamente a esperança de que alguma coisa pudesse mudar. Em determinado momento, precisei dizer a um deles: “Meu caro, talvez você precise considerar se ainda faz sentido permanecer aqui. Se você não acredita mais na empresa, nas pessoas e na possibilidade de mudança, o que exatamente pretende construir daqui para frente?”
Pessimismo crônico não é lucidez. Às vezes, é apenas uma forma requintada de fugir da responsabilidade. Quem se coloca sempre como vítima encontra muitas justificativas. Quem se reconhece como parte do problema começa a procurar caminhos.
Uma das perguntas mais importantes que você pode articular diante de qualquer dificuldade é: “Qual é a minha parte nisso e o que eu posso fazer, a partir de agora, para ajudar a mudar essa realidade?”
Se você nunca se considera parte da solução, talvez esteja contribuindo mais para o problema do que imagina.






