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O grave risco de não se posicionar

Quem evita dizer o que pensa para não desagradar pode acabar sendo percebido como alguém sem voz.

O grave risco de não se posicionarNo meu trabalho de consultor, encontro muitos líderes que têm opinião, enxergam problemas, discordam de determinadas decisões da alta direção e, muitas vezes, sabem exatamente o que deveria ser feito. Porém, preferem ficar em silêncio porque não querem se posicionar.

Alguns têm medo de errar. Outros receiam ser mal interpretados. Há ainda aqueles que pensam: “Melhor não falar nada, porque posso dizer algo que não deveria”. O problema é que o silêncio também comunica.

Quando alguém sistematicamente evita se manifestar, os outros começam a construir uma narrativa sobre essa pessoa. Talvez não pensem que ela é prudente e sim que não tem opinião, não conhece suficientemente o assunto ou não tem coragem para sustentar aquilo que pensa. E isso cobra um preço na carreira.

Tenho ouvido de alguns líderes uma história curiosamente parecida: “Eu só consegui crescer tão rápido nos últimos anos porque aprendi a me posicionar”.

Não significa que saíram por aí falando tudo o que pensavam. Significa que, diante de uma questão relevante, não se esconderam atrás daquilo que era conveniente.

Discordaram quando precisavam discordar. Fizeram perguntas difíceis. Apresentaram ideias que contrariavam o senso comum. Alertaram sobre riscos. Disseram “não” quando um “sim” seria mais confortável. E, algumas vezes, disseram aquilo que precisava ser dito mesmo sabendo que alguém não gostaria de ouvir.

Com o tempo, isso produz algo valioso: reputação. As pessoas passam a perceber que aquela opinião tem peso. Que existe consistência entre o que o profissional pensa e o que fala. Que ele não muda de posição apenas para agradar quem está acima e que pode ser consultado quando o assunto é importante. É assim que se constrói credibilidade.

Mas há uma diferença fundamental entre posicionamento e impulsividade. Ser assertivo não significa falar tudo, de qualquer maneira, a qualquer momento. Coragem não é ausência de filtro. É a capacidade de dizer o necessário, com respeito, responsabilidade e clareza, mesmo quando existe algum risco envolvido.

Aliás, quanto mais alto alguém sobe na organização, mais importante isso se torna. Líderes não são pagos apenas para concordar. Espera-se deles que enxerguem o que outros não estão vendo e tenham coragem para colocar isso sobre a mesa.

É claro que quem se posiciona também pode errar mais, desagradar aliados e ser contrariado. Pode até cometer alguma injustiça. Mas ficar calado implica um risco ainda maior: passar anos sendo considerado “competente”, sem jamais ser considerado alguém cuja voz faz a diferença.

A carreira de gestão não é construída apenas pelo que você entrega. Ela também depende daquilo que as pessoas passam a acreditar sobre você.

Quando uma decisão importante está sendo tomada na sua empresa, as pessoas esperam ouvir o que pensa ou percebem que você provavelmente ficará em silêncio?

Pense nisso!

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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