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Os dois momentos críticos na vida de uma equipe

Conheça as bases invisíveis que sustentam ou limitam o desempenho de qualquer time de trabalho

Os dois momentos críticos na vida de uma equipeNo início da vida de uma equipe, há muitas zonas de sombra. As pessoas estão se conhecendo, testando limites e tentando entender o que é ou não aceitável naquele ambiente. É nesse cenário, aparentemente comum, que acontecem dois episódios críticos, que funcionam como uma espécie de “ensaio geral” do que aquela equipe será no futuro.

Segundo Jeff Polzer, professor de Harvard que estuda comportamento organizacional, esses momentos decisivos são “a primeira vulnerabilidade” e “o primeiro desentendimento”.

A primeira vulnerabilidade surge quando alguém diz “não sei”, admite um erro, pede ajuda ou expõe uma dúvida que poderia ter sido escondida. Pense no líder que diz: “Tomei uma decisão precipitada e precisamos revê-la.” Ou em um analista que assume: “Não entendi completamente esse ponto, alguém pode me explicar melhor?”

Nessas horas, o grupo recebe um sinal e precisa responder a ele. Se a reação for julgamento, ironia ou constrangimento, a mensagem é clara: errar custa caro. E a partir daí pessoas param de buscar coisas novas, escondem falhas e passam a proteger sua imagem.

Por outro lado, quando a vulnerabilidade é acolhida com respeito, algo poderoso acontece. Cria-se o que Amy Edmondson chama de segurança psicológica: um ambiente onde ninguém precisa gastar energia fingindo que sabe tudo o tempo todo.

O segundo momento crítico é o primeiro desentendimento. Imagine uma situação comum: duas pessoas discordam sobre a melhor estratégia para um cliente. Uma quer ousar mais; a outra prefere continuar fazendo o que já funciona. O que vem a seguir geralmente são tons de voz alterados e uma conversa que vira disputa porque ninguém quer “perder”. E, por fim, a lição ruim: discordar é entrar em combate.

Mas existe outro caminho, muito mais produtivo. Alguém pode dizer: “Interessante você pensar assim. Pode me ajudar a entender melhor esse ponto de vista?” Abordagem que muda o jogo porque a divergência deixa de ser encarada como uma ameaça e passa a ser matéria-prima para decisões melhores.

No fundo, esses dois momentos — a primeira vulnerabilidade e o primeiro desentendimento — colocam o grupo diante de escolhas profundas. Queremos parecer fortes ou aprender de verdade? Queremos interações superficiais ou conversas que realmente nos desafiem?

O problema é que essas escolhas raramente são feitas de forma explícita. Elas acontecem nas entrelinhas, nas reações quase automáticas e nos pequenos gestos do dia a dia.

E é aí que entra o papel da liderança. Um líder que admite um erro publicamente está, na prática, autorizando outros a fazer o mesmo. Outro que trata um desacordo com curiosidade está ensinando como os conflitos devem ser conduzidos.

O que separa grupos comuns dos realmente extraordinários é a coragem de expor, logo no começo, aquilo que a maioria passa a carreira inteira tentando disfarçar.

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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