Nem sempre a resistência direta e ostensiva ao líder decorre do seu despreparo para conciliar ideias ou decisões que geram discordância dentro do time. Às vezes, é apenas consequência de uma disputa de poder.
É importante fazer essa distinção. Equipes maduras às vezes questionam, argumentam e apresentam caminhos diferentes daquele proposto pelo seu líder. O problema começa quando a discussão deixa de focalizar o mérito das escolhas e passa a girar em torno de quem tem o direito de tomá-las.
Alguns exemplos: o colaborador ignora orientações simples, contesta decisões do líder na frente da equipe ou toda hora quer rediscutir as bases de acordos já combinados porque simplesmente é indomável. Nesses casos, ele não está tentando melhorar a decisão. Está testando os limites da liderança.
Comportamentos dessa natureza costumam ser tratados como problemas de relacionamento. Porém, na minha experiência, percebo que quase sempre são fruto de uma disputa de poder.
Há pessoas que simplesmente não aceitam ser lideradas por determinadas pessoas. Não porque as considerem incapazes, mas porque, consciente ou inconscientemente, acreditam que deveriam ocupar aquele lugar ou que sua influência vale mais do que a autoridade formal do líder.
A partir daí, cada pequena transgressão deixa de ser um episódio isolado porque funciona como um teste: “até onde posso ir sem que nada aconteça?”
É justamente nesse momento que muitos líderes se equivocam. Na tentativa de evitar desgaste, preferem relevar pequenas insubordinações. Afinal, “não vale a pena comprar essa briga”. Só que a equipe inteira está observando. E, nas organizações, as pessoas aprendem muito mais com aquilo que o líder tolera do que com aquilo que ele diz esperar.
Não estou defendendo líderes autoritários, muito menos ambientes onde o contraditório seja reprimido. Aliás, um líder inseguro costuma enxergar insubordinação onde existe apenas pensamento crítico. Mas transformar qualquer afronta à autoridade em algo irrelevante, como se toda resistência fosse apenas uma demonstração de personalidade, também é uma postura perigosa.
Quando alguém desafia sistematicamente a autoridade da liderança e nada acontece, o problema deixa de ser entre duas pessoas. A mensagem que se espalha é que as regras podem ser negociadas dependendo de quem as descumpre. E essa percepção corrói a confiança na liderança muito mais rapidamente do que qualquer decisão impopular.
A maioria das equipes não perde o respeito pelo líder por causa de um grande episódio. Perde aos poucos, quando percebe que certas pessoas têm licença para ultrapassar limites sem qualquer consequência.
E, quando o líder finalmente decide agir, quase sempre descobre que já não está lidando com um comportamento isolado, mas com uma cultura que ele próprio ajudou a construir pela omissão.
Pense nisso!





