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A primeira demissão de um líder

O dia em que muitos gestores descobrem que liderar também pesa.

A primeira demissão de um líderHá primeiras experiências na liderança das quais quase todo mundo se lembra. A primeira reunião conduzida como chefe, o primeiro feedback difícil e a primeira contratação, por exemplo. Mas existe uma que costuma permanecer na memória: a primeira vez em que foi preciso demitir alguém.

Até aquele momento, liderança podia parecer um conjunto atraente de responsabilidades. Construir uma boa equipe, tomar decisões de negócios e ajudar os outros a crescer. Então chega o dia em que você se senta diante de alguém e precisa dizer à pessoa que não continuará trabalhando ali. É aí que muita gente descobre que liderar também pesa.

É por isso que, nessa hora, somos tentados a adiar a conversa na esperança de que o problema se resolva sozinho. Ou, então, falamos de uma forma tão cautelosa que o profissional sai da sala sem entender exatamente por que foi desligado.

Em contrapartida, com o tempo e a experiência acumulada, surge um outro risco. Depois de algumas demissões, aquilo que antes provocava noites mal dormidas pode se transformar em apenas mais uma tarefa rotineira. O líder aprende o roteiro e sabe conduzir a conversa com serenidade, mas se tornou alguém insensível.

A maturidade está justamente no meio dessas duas posturas opostas: não tratar uma demissão como uma tragédia pessoal do gestor e, ao mesmo tempo, nunca encará-la como um ato burocrático qualquer.

A primeira demissão ensina tanto porque ela nos obriga a olhar para trás. Aquela pessoa sabia claramente o que se esperava dela? Recebeu feedback enquanto ainda havia tempo para mudar? Teve apoio para corrigir suas dificuldades? As consequências de não melhorar estavam claras?

Nem toda demissão pode ser evitada. Existem situações em que manter alguém custa caro para a equipe, para os resultados e, algumas vezes, para a própria pessoa que permanece durante meses numa posição na qual não consegue fazer o que é necessário.

“Você pode dizer muito sobre um líder não pela maneira como ele contrata, mas pela maneira como dispensa as pessoas.”  Whitney Bouck,                    ex-executiva de Dropbox e Box 
 

Lembre-se: ficar dando sucessivas chances a alguém que desempenha pouco só porque é “uma pessoa legal” ou “está aqui há anos” não é um gesto de humanidade, como parece ser. Sobretudo quando os colegas precisam compensar o que essa pessoa deixa de entregar e se sentem desrespeitados por você que não faz nada para mudar a situação.

Enfim, a liderança não é medida apenas pela disposição de apostar nas pessoas. Em determinados momentos, ela também é medida pela capacidade de reconhecer quando a aposta já não faz sentido e tomar a decisão inevitável.

Como ensinou Whitney Bouck, ex-executiva de Dropbox e Box: “Você pode dizer muito sobre um líder não pela maneira como ele contrata, mas pela maneira como dispensa as pessoas.”

Um líder experiente provavelmente nunca sentirá o mesmo desconforto da primeira vez – nem deveria. Mas talvez seja bom que alguma coisa daquela primeira demissão nunca deixe de incomodar.

Wellington Moreira

Palestrante e consultor empresarial especialista em Formação de Lideranças, Desenvolvimento Gerencial e Gestão Estratégica, também é professor universitário em cursos de pós-graduação. Mestre em Administração de Empresas, possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas e é autor dos livros “Como desenvolver líderes de verdade” (Ed. Ideias e Letras), “Líder tático” e “O gerente intermediário” (ambos Ed. Qualitymark).

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