Você provavelmente já participou de uma reunião que parecia ter terminado muito bem. As pessoas discutiram o assunto, uma decisão foi tomada e todos saíram da sala aparentemente alinhados sobre o que deveria acontecer dali em diante.
O problema é que, alguns minutos depois, começou outra reunião. No corredor, durante o café ou no WhatsApp, surgiram as discordâncias que ninguém apresentou antes, as críticas que ficaram guardadas e até os argumentos que poderiam ter mudado a decisão.
É a famosa “reunião depois da reunião”, um hábito bastante comum – e danoso – que faz parte do dia a dia de muitas organizações que você conhece.
Não há nada de errado em discordar. Equipes competentes são formadas por pessoas com experiências, conhecimentos e maneiras diferentes de enxergar um mesmo problema. Aliás, esperar que todos concordem o tempo inteiro não é apenas irreal como também pouco saudável.
A questão é onde e quando essa discordância aparece. Se alguém apresenta uma opinião contrária enquanto o assunto ainda está sendo discutido, permite que os demais conheçam seus argumentos, confrontem pontos de vista e até revejam suas posições. Mesmo que a ideia não prevaleça, ela contribuiu para a qualidade da decisão.
Porém, quando a pessoa permanece em silêncio e manifesta sua insatisfação apenas depois, acontece o contrário. Sua opinião já não ajuda a construir uma decisão melhor. Serve apenas para alimentar conversas paralelas e fortalecer resistências.
É claro que o líder tem responsabilidade nisso. Existem ambientes nos quais as pessoas aprendem rapidamente que discordar do chefe custa caro, pois sempre encontra respostas defensivas, irônicas ou agressivas. Resumindo: é melhor ficar calado.
Mas nem sempre o problema está no líder. Há profissionais que têm espaço para falar e mesmo assim preferem o silêncio. Concordam enquanto estão diante dos colegas e, assim que deixam a sala, dizem tudo aquilo que não tiveram disposição de apresentar quando ainda poderiam fazer alguma diferença.
Uma equipe madura precisa aprender a fazer duas coisas que podem parecer contraditórias: discordar antes da decisão e se comprometer depois dela.
Enquanto o assunto está aberto, é hora de questionar, apresentar argumentos, apontar riscos e defender posições. Mas assim que a decisão for tomada, quem não concorda com ela precisa estar disposto a apoiá-la, independente do seu ponto de vista pessoal.
É por isso que uma boa maneira de avaliar a maturidade de uma equipe é prestar atenção no que acontece quando a reunião acaba. Se as conversas mais sinceras e as verdadeiras opiniões aparecem somente depois que algumas pessoas deixaram a sala, existe algo que precisa ser trabalhado.
Equipes maduras não são aquelas em que todos concordam. São aquelas em que ninguém precisa esperar a reunião terminar para finalmente dizer o que pensa.





